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Fábricas de pneus dão férias coletivas 

Bridgestone/Firestone e Continental, que possuem unidades no Pólo de Camaçari, irão parar a partir de dezembro

A turbulência financeira internacional já afeta os negócios das fábricas de pneus instaladas na Bahia. Em outubro passado, as exportações recuaram 45% em relação a igual mês de 2007, segundo levantamento do Promo – Centro Internacional de Negócios da Bahia. Pior: por conta o agravamento da crise, as três multinacionais do setor – Bridgestone Firestone, Pirelli e Continental –, que empregam juntas 3,5 mil trabalhadores, já convocaram férias coletivas a partir do início do mês que vem.

O presidente da Bridgestone Firestone do Brasil, Humberto Gómez, admitiu ontem que, com crise global, as exportações da empresa para um de seus principais destinos, os Estados Unidos, diminuíram significativamente nos últimos meses. “Para nivelar os estoques que temos hoje, a saída que encontramos foi dar férias coletivas de 15 dias aos nossos funcionários, tanto na fábrica de Santo André, em São Paulo, como em Camaçari, na Bahia”, disse.

Humberto Gómez reconhece as incertezas do mercado, mas se diz otimista com a contenção dos efeitos da crise no País. “Achamos que as ações que o governo federal está propondo para reativar o crédito serão eficazes, mesmo que isso leve algum tempo”, afirmou.

Em nota oficial, a Pirelli afirmou que está “acompanhando o cenário econômico e a demanda de mercado antes de decidir por uma eventual parada em sua fábrica em Feira de Santana”. No entanto – informou a multinacional italiana –, os 30 funcionários da empresa que trabalham no complexo Ford, em Camaçari, estão submetidos às férias coletivas já anunciadas pela montadora norte-americana.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Borracha de Camaçari e Simões Filho, Clodoaldo Gomes, a alemã Continental – que tem fábrica em Camaçari – já havia informado à Delegacia Regional do Trabalho (DRT), no último dia 17, a data das férias coletivas, que irão acontecer entre os dias 14 de dezembro a 4 de janeiro de 2009.

Além de impacto na balança comercial da Bahia, a redução no nível de atividade das indústrias de pneus pode implicar ainda, segundo sindicalistas, redução dos postos de trabalho. “O risco de desemprego é real, principalmente a partir de fevereiro, quando serão realizados os novos contratos. Aí, sim, teremos uma noção melhor dos efeitos da crise”, disse Clodoaldo Gomes.

Ele acredita que se não houver ações para dirimir os efeitos da crise, a redução dos postos de trabalho pode chegar a 30%. Gomes revela que as empresas estão com uma postura ainda obscura sobre os cargos e salários e já falam em “aumento de custos” em 2009 e isso implica, segundo ele, cortes.

Produção chega a 36 mil unidades/dia 

As indústrias instaladas na Bahia produzem diariamente cerca de 36 mil pneus. Deste total, mais de 50% são destinados à montagem de automóveis. A outra metade abastece os mercados externo e de reposição. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Borracha de Camaçari e Simões Filho, somente a Pirelli tem quase 100% de sua produção voltada para as montadoras, como a norte-americana Ford – sua principal cliente.

Pirelli, Continental e a Bridgestone Firestone não quiseram revelar quanto deixarão de produzir por conta do desaquecimento do mercado automotivo mundial. Mas esses efeitos já podem ser medidos analisando os dados da balança comercial da Bahia. De janeiro a outubro deste ano, foram vendidas no mercado externo 45,8 mil toneladas de pneus, numa queda de 3,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

“Com a queda das exportações, a tendência é diminuir a produção. O dólar ainda está muito volátil, há escassez de crédito e uma redução cada vez maior dos pedidos. Pneus não fogem à regra da crise”, avaliou o gerente de estudos e informações do Promo – Centro Internacional de Negócios da Bahia, Arthur Souza Cruz. Ele explicou que o faturamento do setor pneumático sofreria um impacto ainda maior se não fosse o aumento de preço do produto para incrementar a receita. ( D. A.)

Fonte: A Tarde on line.


 

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